Falta de planejamento da Prefeitura faz crianças enfrentarem deslocamento de 2h para escola
- Wagner Romao Gabinete
- 11 de set.
- 2 min de leitura
A situação vivida atualmente por cerca de 800 alunos da EMEF Padre Leão Vallerié, em Campinas, escancara mais uma vez a falta de planejamento da Prefeitura na condução da política educacional.
Com a transferência provisória de alunos do Parque Valenca I para o Colégio Fitel, no bairro Matão, no limite com Sumaré, os estudantes do ensino fundamental estão enfrentando um deslocamento diário de aproximadamente 50 km (ida e volta). Com isso, muitas crianças têm acesso a apenas três horas de aula por dia, causando um grave prejuízo ao direito à educação.
Pais relatam que a rotina está sendo marcada por insegurança, desgaste físico e emocional dos filhos. “Crianças não estão comendo direito, não têm horário suficiente nem pra digerir comida. Tem aula que está durando 10 minutos. Elas atravessam a cidade, perdem conteúdo, não têm espaço de recreação, todos os direitos estão sendo negados”, desabafou uma das mães durante protesto recente na Câmara Municipal.
Além da distância e da carga horária reduzida, pais também denunciam a segregação dos alunos da EMEF Padre Leão Vallerié em relação aos demais estudantes da escola Fitel. Há relatos de diferenciação no acesso a espaços comuns e de tratamento desigual dentro da unidade, o que reforça ainda mais o sentimento de exclusão.
Veja os relatos aqui:
A situação revela não apenas um problema pontual, mas uma marca de falta de planejamento e de compromisso da Prefeitura com a educação pública. Não houve preparo prévio para garantir uma alternativa que preservasse a qualidade do ensino, tampouco escuta à comunidade escolar antes da transferência forçada.
O resultado é a imposição de uma logística desumana, que compromete o aprendizado, o bem-estar, e coloca em segundo plano o direito fundamental das crianças a uma educação digna.
Sem planejamento
Segundo a Prefeitura, a transferência é causado por conta de uma obra estrutural na unidade original, com previsão de conclusão em nove meses.
Enquanto a Prefeitura promete entregar a obra em nove meses, centenas de famílias seguem enfrentando dias de insegurança, cansaço e perda pedagógica, com um retrato do abandono da educação pública em Campinas.
Com a demonstração clara de abandono, a Promotoria de Infância e Juventude do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) instaurou inquérito civil público para apurar a situação, e nosso mandato acompanha e continua cobrando uma gestão mais séria da educação em Campinas.
Confira nosso discurso na íntegra sobre esse assunto:








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